APRENDA A VOAR



Depois dos 50, a Idade de Ouro, a vez da verdade, a hora da posse de si mesma. Aproveite tudo. Curta-se. Ame muito. Você chegou lá. Voe. Agora você tem asas. Você agora é o tigre, e tigre alado. Voe alto. Voe muito alto.

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By Ferramentas Blog

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NOS BRAÇOS DA POESIA


Cartão deixado por minha mãe

Chega um tempo em que as perdas se somam, fazem-se mais constantes. Vai-se aquele amigo de mais de  40 anos, e o que falava todo dia ao telefone com você.  Um de mal do coração, outro de HIV... às vezes vão-se dois na mesma semana. E a gente se sente mais pobre. Às vezes sente tanto que nem chora. E pensa: ” Ah, como era bom quando eu chorava tanto! Chorava assistindo novela!” Por que será que se chora menos quando envelhece? Dizia minha avó: “As lágrimas secam!”

Tem uns que a gente nem perde para a morte. Perde mesmo para a vida. A vida, com as suas solapadas! Um dia você encontra seu amigo e não encontra mais o seu abraço. Olha nos seus olhos, e...onde está ele? A vida o trancafiou em portas de ferro dentro de si mesmo. Pior: jogou fora as chaves. Ele não está mais ali para o seu afeto, para nenhum afeto talvez. Caiu na tristeza egóica da velhice, sucumbiu.

Mas não quero ser sombria. Dos amigos que se vão tento pensar sempre no que deixaram comigo, do que deixaram em mim. Eu os levo dentro de mim, na caminhada. Não como sua carcereira, mas hospedeira. Conformada e grata.

Vivia um destes momentos de perdas múltiplas, de lágrimas secas e de pensamentos gratos , quando recebi por email um poema, de alguém que nem sei quem é, como se adivinhasse .

RECADO AOS AMIGOS DISTANTES

Meus companheiros amados, 
não vos espero nem chamo: 
porque vou para outros lados. 
Mas é certo que vos amo. 

Nem sempre os que estão mais perto 
fazem melhor companhia. 
Mesmo com sol encoberto, 
todos sabem quando é dia. 

Pelo vosso campo imenso, 
vou cortando meus atalhos. 
Por vosso amor é que penso 
e me dou tantos trabalhos. 

Não condeneis, por enquanto, 
minha rebelde maneira. 
Para libertar-me tanto, 
fico vossa prisioneira. 

Por mais que longe pareça, 
ides na minha lembrança, 
ides na minha cabeça, 
valeis a minha Esperança.

( Cecília Meirelles, “Poemas – 1951)

Há um outro poema que muitas vezes me carrega no colo nessas horas, do poeta Solda para o poeta Paulo Leminski

POEMA PARA PAULO LEMINSKI

vai
meu amigo
desta vez
não vou contigo

a morte
é um vício
muito antigo
só que nunca
aconteceu
comigo

pode ir
que eu não ligo
eu fico por aqui
separando
tijolo do trigo

(Solda)

Minha mãe, quando morreu ( sempre acho que em algum área da alma a pessoa sabe que vai morrer), deixou na mesa de cabeceira um cartão recortado em tesoura de picotar – ela adorava tesoura de picotar - com frase de Antoine de Saint Exupéry:


“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”



2 comentários:

  1. Tenho acompanhado esse seu momento... que vai chegar pra todos nós. Tenho pensado muito na morte, na minha e na dos que amo. Estou totalmente despreparada. E quando estaremos preparados? Nunca. Antes disso quero curtir os que amo e eu te amo, viu? Saudades de estar próxima de você, pessoa preciosa. Saudades mesmo. Esses encontros rapidos que temos as vezes não resolvem nem 1% da falta que sinto de você. <3. Barbara

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    Respostas
    1. Flying on the World12 de setembro de 2014 21:24

      Beijo, minha querida Bárbara.

      Excluir

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